A fiscalização de trânsito está ganhando o apoio da inteligência artificial. Nos trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas, em São Paulo, novas câmeras conseguem identificar possíveis casos de motoristas utilizando o celular ao volante e de condutores ou passageiros sem o cinto de segurança.
Os radares com IA começaram a ser testados em maio de 2026 e, em pouco mais de um mês, identificaram milhares de situações relacionadas a essas infrações. Desde julho, as imagens passaram a subsidiar autuações após a análise da Polícia Militar Rodoviária.
A mudança amplia a capacidade de fiscalização e acende um alerta para as empresas que gerenciam frotas. Com comportamentos de risco cada vez mais visíveis nas estradas, apenas orientar os motoristas pode não ser suficiente. É preciso acompanhar a operação, identificar desvios e atuar preventivamente.
Mas como essa nova tecnologia funciona e o que ela representa para a gestão de frotas? Entenda a seguir.
Radares com IA: como funciona a nova fiscalização no Rodoanel?
Diferentemente de uma câmera utilizada apenas para registrar imagens do tráfego, o novo sistema utiliza inteligência artificial para analisar os registros e identificar comportamentos compatíveis com determinadas infrações.
As câmeras contam com tecnologia infravermelha e realizam o monitoramento 24 horas por dia. Quando o sistema identifica uma possível irregularidade, a imagem é detectada, classificada e encaminhada para um sistema compartilhado com a Polícia Militar Rodoviária.
A multa, porém, não é aplicada automaticamente pela inteligência artificial.
Segundo as informações divulgadas sobre o funcionamento do sistema, um policial analisa as imagens antes de confirmar a infração e emitir a autuação.
Na prática, a tecnologia amplia a capacidade de monitoramento e identificação de possíveis irregularidades, enquanto a validação permanece sob responsabilidade da autoridade policial.
E o período de testes revelou a frequência com que determinados comportamentos aparecem nas rodovias.
O que os testes das câmeras com inteligência artificial identificaram?
O sistema passou por uma fase de avaliação entre 12 de maio e 29 de junho de 2026.
Nesse período, as câmeras identificaram 7.297 possíveis infrações nos trechos monitorados do Rodoanel.
De acordo com o levantamento divulgado após o período de testes, 3.335 motoristas e 1.956 passageiros foram flagrados sem cinto de segurança. Outros 1.369 registros envolveram condutores utilizando o celular ao volante.
A falta do cinto concentrou a maior parte das situações identificadas pelo sistema.
Os dados também apontaram diferenças nos horários dos registros. Os casos de motoristas sem cinto apresentaram maior concentração por volta das 6h, enquanto o uso do celular teve maior incidência por volta das 9h.
Os números foram registrados durante a fase de testes e não representam, necessariamente, o total de multas emitidas. Isso porque os flagrantes precisam passar pela análise da Polícia Militar Rodoviária antes da confirmação da infração.
Ainda assim, o volume de registros ajuda a dimensionar a frequência de comportamentos de risco nas vias.
E, para empresas que possuem veículos circulando diariamente, esse cenário também precisa ser observado sob a perspectiva da gestão.
Radares com IA: o que a nova fiscalização muda para empresas com frota?
Um motorista pode receber orientações sobre segurança durante a admissão ou participar de treinamentos e, ainda assim, adotar comportamentos inadequados na rotina.
É justamente nesse intervalo entre o procedimento definido pela empresa e o comportamento real na estrada que surgem vulnerabilidades.
O problema é que, sem acompanhamento, a gestão pode descobrir a existência dessas práticas apenas depois de uma ocorrência.
Uma multa chega à empresa. Um acidente é registrado. Um veículo precisa ser parado. Só então o comportamento do motorista passa a ser analisado.
Com a ampliação da fiscalização por meio da tecnologia, existe uma nova variável nesse cenário.
Os radares com IA aumentam a capacidade de identificar situações que, muitas vezes, dependiam da visualização direta por um agente de trânsito.
Para a gestão de frotas, isso reforça a necessidade de avaliar se as orientações sobre segurança realmente fazem parte da rotina dos motoristas.
A pergunta deixa de ser apenas “a empresa possui uma política de segurança?”.
É preciso entender se ela é aplicada.
Uso do celular ao volante: por que esse comportamento exige atenção da gestão?
O celular faz parte da rotina operacional de muitos motoristas.
Aplicativos de navegação, comunicação com a empresa e informações sobre entregas podem estar disponíveis no mesmo dispositivo utilizado durante a viagem.
O problema surge quando essa necessidade de comunicação leva ao manuseio do aparelho enquanto o veículo está em movimento.
Mas o risco não deve ser analisado apenas sob a perspectiva da multa.
Uma mensagem enviada pela própria operação pode incentivar, ainda que involuntariamente, uma resposta imediata do motorista.
Por isso, combater o uso do celular ao volante não depende apenas de orientar o profissional a não mexer no aparelho.
A empresa também precisa avaliar seus próprios processos.
A equipe operacional espera respostas durante o trajeto? Informações importantes são enviadas enquanto o caminhão está em movimento? Existe uma orientação clara para que o motorista responda apenas quando estiver parado em local seguro?
Essas perguntas ajudam a identificar se a própria rotina da empresa pode estar contribuindo para um comportamento de risco.
Gerenciar o risco exige olhar para a causa, e não apenas para a infração registrada.
A falta do cinto pode indicar uma vulnerabilidade na cultura de segurança?
O uso do cinto de segurança é obrigatório para condutores e passageiros em todas as vias do território nacional, conforme estabelece o artigo 65 do Código de Trânsito Brasileiro.
Mesmo assim, a ausência do equipamento representou a maior parte das situações identificadas pelas câmeras durante os testes no Rodoanel.
Para uma empresa com frota, esse comportamento pode indicar uma distância entre as regras estabelecidas e as práticas adotadas na operação.
Se o motorista sabe que o cinto é obrigatório e, ainda assim, não utiliza o equipamento, apenas repetir a orientação pode não ser suficiente.
A gestão precisa compreender por que a regra não está sendo cumprida.
O comportamento é recorrente? A liderança acompanha indicadores de segurança? Infrações anteriores são analisadas? Existem ações de reciclagem e orientação?
Uma cultura de segurança não é construída apenas com procedimentos escritos.
Ela depende da forma como a empresa acompanha comportamentos e responde aos desvios identificados.
Como a gestão de frotas pode agir diante das novas formas de fiscalização?
A tecnologia utilizada nas rodovias está ampliando a capacidade de identificar comportamentos de risco.
Dentro das empresas, a gestão também precisa utilizar informações para antecipar problemas.
Algumas ações podem contribuir para esse processo:
- acompanhar infrações por motorista e por veículo;
- analisar a reincidência de comportamentos de risco;
- criar orientações claras sobre o uso do celular durante as viagens;
- revisar os processos de comunicação com os motoristas;
- reforçar o uso obrigatório do cinto de segurança;
- realizar treinamentos baseados nas ocorrências reais da frota;
- investigar as causas dos desvios de comportamento;
- utilizar dados para direcionar ações preventivas.
O objetivo não deve ser apenas evitar multas.
Uma infração pode funcionar como um sinal de que existe uma vulnerabilidade na operação.
Se vários motoristas são autuados pelo mesmo comportamento, por exemplo, a empresa precisa avaliar se está diante de casos individuais ou de uma falha mais ampla em seus processos de orientação e controle.
É essa análise que permite transformar um dado em uma decisão de gestão.
A tecnologia amplia a fiscalização. A gestão precisa ampliar a prevenção
Os dados registrados durante os testes no Rodoanel mostram como comportamentos de risco podem se repetir diariamente sem que a empresa tenha conhecimento deles.
Em pouco mais de um mês, 7.297 situações relacionadas à falta do cinto e ao uso do celular foram identificadas pelas câmeras.
Desde julho, os registros passaram a subsidiar autuações após análise da Polícia Militar Rodoviária.
Para as empresas, o avanço dos radares com IA traz uma reflexão importante: esperar a multa chegar para descobrir um comportamento de risco significa atuar depois que a vulnerabilidade já estava presente na operação.
Uma gestão de frotas eficiente acompanha indicadores, analisa comportamentos e cria processos para reduzir a exposição antes que uma infração ou um acidente confirme o problema.
A UNIGR é especializada em gestão de frotas e gerenciamento de riscos e ajuda empresas a ampliar o controle sobre suas operações e tomar decisões mais seguras.
Sua empresa sabe quais comportamentos de risco estão acontecendo hoje nas estradas?
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